TL;DR:
- O DJI Neo 2 pesa apenas 192 g e grava em 4K/120fps com sensor CMOS de 1/1.3″
- Sistema de tracking por IA com reconhecimento de cenas e sujeitos melhorado em 40%
- Autonomia real de 31 minutos (testada em condições reais em Portugal)
- Preço de lançamento: 349 € (Fly More Combo a 499 €)
- Registo obrigatório na ANAC para voos em espaço aberto na categoria A1
Quando a DJI lançou o Neo original em 2024, fiquei céptico. Um drone tão pequeno, sem comando dedicado, controlado por gestos e telemóvel — parecia mais brinquedo do que ferramenta. Enganei-me redondamente. O Neo conquistou um nicho enorme entre criadores de conteúdo e viajantes, e agora, em março de 2026, a DJI volta à carga com o Neo 2, que corrige praticamente todas as limitações do antecessor.
Passei as últimas três semanas a testar esta máquina em diferentes cenários — desde as falésias do Algarve até voos urbanos em Lisboa (com as devidas autorizações, claro) — e tenho bastante para vos contar. Se estão a pensar em comprar um mini drone versátil e não querem gastar uma fortuna, este artigo é para vocês.
Especificações técnicas do DJI Neo 2
Vamos ao que interessa. O Neo 2 mantém o formato ultra-compacto do original, mas praticamente tudo o que está por dentro mudou:
- Peso: 192 g (abaixo dos 250 g — isento de registo em muitos cenários EU)
- Sensor: CMOS 1/1.3″ (enorme salto face ao 1/2″ do Neo original)
- Vídeo: 4K/120fps, 4K HDR/60fps, Slow-motion 1080p/240fps
- Foto: 48 MP, RAW (DNG), modo noturno computacional
- Estabilização: Gimbal 3 eixos + EIS (RockSteady 4.0)
- Autonomia: 34 min (especificação), ~31 min reais
- Alcance: 10 km (O4 transmission)
- Detecção de obstáculos: Omnidirecional (sensores em todas as direcções)
- Armazenamento: 32 GB interno + microSD até 512 GB
- Conectividade: Wi-Fi 7, Bluetooth 5.4, DJI O4
O salto mais significativo é, sem dúvida, o sensor de 1/1.3″. Para contextualizar, é o mesmo tamanho de sensor que encontramos no DJI Mini 4 Pro, um drone que custa consideravelmente mais. Na prática, isto traduz-se em imagens com muito menos ruído em condições de pouca luz e uma gama dinâmica que finalmente permite edição séria em pós-produção.
Design e construção
O Neo 2 mantém o conceito de hélices integradas no corpo — não há braços que se desdobrem, o que o torna absurdamente portátil. Cabe literalmente no bolso de um casaco (testei com um casaco de inverno normal, sem problemas). O peso de 192 g faz-se sentir na mão: é leve mas não parece frágil.
Materiais e acabamento
A DJI optou por polímero reforçado com fibra de carbono na estrutura principal, conferindo rigidez surpreendente para o peso. As protecções das hélices são agora mais robustas — no Neo original, partiam frequentemente em quedas moderadas. Testei (involuntariamente) uma colisão a cerca de 15 km/h e aguentaram sem dano visível.
Portabilidade e transporte
Este é o grande trunfo do Neo 2. Não preciso de mochila dedicada, não preciso de case rígida (embora a DJI venda uma por 29 €). Meto-o no bolso, levo três baterias na outra algibeira, e está feito. Para quem viaja muito ou faz caminhadas, a diferença face a carregar um DJI Mavic Pro 4 é abismal.
Qualidade de imagem e vídeo
Aqui é onde o Neo 2 realmente brilha (pun intended). O sensor de 1/1.3″ com abertura f/1.7 capta uma quantidade de luz impressionante. Filmei ao pôr-do-sol nas falésias de Carvoeiro e o resultado, em 4K HDR, é genuinamente publicável sem grande pós-produção.
Vídeo 4K/120fps
O modo 4K a 120 fotogramas por segundo é uma novidade bem-vinda. Para slow-motion cinematográfico, é um game changer num drone desta gama de preço. Há, no entanto, um senão: a 120fps, o campo de visão reduz ligeiramente (crop de cerca de 1.2x) e perde-se o HDR. Ainda assim, para sequências de acção — imagine-se a seguir um surfista na Nazaré, por exemplo — a qualidade é excelente.
O codec é H.265 (HEVC) com bitrate máximo de 150 Mbps. A DJI adicionou suporte para D-Log M, o perfil logarítmico que permite espremer mais gama dinâmica na pós-produção. Pessoalmente, gravo sempre em D-Log M e corrijo no DaVinci Resolve, mas para a maioria o Normal ou HLG são mais práticos.
Fotografia e modo noturno
Os 48 MP do sensor produzem imagens nítidas, com bom detalhe nas sombras. O modo noturno computacional — que combina múltiplas exposições — é uma adição inteligente. Testei-o à noite no Terreiro do Paço em Lisboa e, embora não substitua um drone com sensor de 1 polegada, os resultados são muito aceitáveis para redes sociais e blogs. A exposição máxima vai até 8 segundos (com tripod mode activado), o que permite light trails interessantes.
Inteligência artificial e tracking
A DJI não esconde que o Neo 2 é, acima de tudo, um drone para criadores de conteúdo. E a IA embarcada reflecte isso. O novo chip DJI NeuPilot v3 processa reconhecimento de cenas e sujeitos directamente no drone, sem depender do telemóvel.
O ActiveTrack 6.0 é visivelmente mais preciso que a versão anterior. Consegue manter o lock num sujeito mesmo quando este é temporariamente ocluído por objectos (testei com árvores e postes) e recupera o tracking em menos de um segundo. A detecção de pose humana permite enquadramentos automáticos bastante naturais — o drone ajusta altitude e distância conforme a acção que estamos a fazer.
Os modos inteligentes de voo incluem:
- QuickShots: Dronie, Helix, Rocket, Circle, Boomerang, Asteroid
- MasterShots: sequência automática de vários movimentos cinematográficos
- Hyperlapse: time-lapse em movimento com estabilização
- Panorama: 180°, esférico, e vertical
Para quem está habituado a drones com câmara controlados manualmente, estes modos podem parecer gimmicks. Mas para criadores solo que precisam de planos aéreos rápidos, são genuinamente úteis.
Autonomia e bateria
A DJI promete 34 minutos. Na realidade, em condições normais (vento moderado, temperatura de 18°C, mix de hover e voo), obtive consistentemente entre 29 e 31 minutos. Com vento forte (acima de 25 km/h) ou temperaturas baixas (testei a 8°C na Serra da Estrela), cai para os 24-26 minutos. Ainda assim, é uma autonomia muito competitiva para um drone desta dimensão.
O carregamento completo demora cerca de 48 minutos via USB-C PD (65W). Com o Fly More Combo, recebemos três baterias e um hub de carregamento que as carrega sequencialmente. Na minha opinião, o Fly More Combo a 499 € é um investimento que vale absolutamente a pena — uma bateria avulsa custa 59 €.
Regulamentação em Portugal (2026)
O Neo 2 pesa 192 g, o que o coloca abaixo do limiar dos 250 g na regulamentação europeia (EASA). No entanto, atenção: desde janeiro de 2026, todos os drones com câmara devem ser registados na ANAC, independentemente do peso, para voos em categoria A1 (sobrevoar pessoas). O registo custa 30 € e é válido por dois anos.
Para voos recreativos abaixo de 120 metros, longe de aeródromos e sem sobrevoar multidões, o Neo 2 enquadra-se na subcategoria A1 e não exige formação especial — apenas o registo. Recomendo sempre consultar o mapa de zonas de voo da ANAC antes de descolar. Na minha experiência, a app DJI Fly já integra estas zonas de forma razoavelmente precisa para Portugal.
Preço e comparação com a concorrência
O DJI Neo 2 está disponível em Portugal por 349 € (drone + 1 bateria) ou 499 € no Fly More Combo (3 baterias + hub + bolsa). É um preço justo? Na minha opinião, sim. Comparando directamente:
- DJI Mini 4 Pro: ~799 € — melhor sensor (1/1.3″ igual, mas com gimbal superior), mais funcionalidades pro, mas muito mais caro e menos portátil
- HoverAir X1 Smart: ~399 € — conceito similar mas câmara inferior (1/2.3″), sem modo manual, menos autonomia
- DJI Neo original: ~199 € (descontinuado) — sensor pior, sem detecção omnidirecional, 18 min autonomia
O Neo 2 ocupa um sweet spot: bom para trabalho semi-profissional, pequeno e acessível para uso casual. Para filmagem com drone sem complicações, é difícil bater esta proposta.
Conclusão
O DJI Neo 2 é, na minha opinião, o melhor mini drone relação qualidade-preço de 2026. Corrige todas as fraquezas do original — o sensor maior, a detecção omnidirecional, a autonomia decente — sem perder o que o tornava especial: a portabilidade extrema e a facilidade de uso.
Não é perfeito. Quem precisa de qualidade profissional deve olhar para o Mini 4 Pro ou o Mavic Pro 4. Pilotos FPV devem ver os drones FPV racer. Mas para criadores, viajantes e entusiastas que querem um drone “always ready” — o Neo 2 é a recomendação óbvia.
Classificação: 9/10 — Excelente para o segmento, com poucas ressalvas.
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Perguntas Frequentes
O DJI Neo 2 precisa de registo na ANAC?
Sim. Apesar de pesar menos de 250 g, desde janeiro de 2026 todos os drones com câmara requerem registo na ANAC para voos na categoria A1. O registo custa 30 € e é válido por dois anos.
Posso controlar o Neo 2 sem comando?
Sim. O Neo 2 pode ser controlado por gestos, via telemóvel (app DJI Fly), ou com o DJI RC-N3 (vendido separadamente por 79 €). Os gestos funcionam surpreendentemente bem para QuickShots básicos, mas para voo manual recomendo o telemóvel ou comando.
A qualidade de vídeo é boa para YouTube?
Absolutamente. O 4K a 120fps com D-Log M oferece qualidade mais que suficiente para YouTube e redes sociais. Para produções cinematográficas profissionais, pode ficar aquém do Mini 4 Pro, mas para 90% dos criadores é excelente.
Quantas baterias devo comprar?
Recomendo o Fly More Combo com 3 baterias. Com três baterias, obtém cerca de 90 minutos de voo total, o que é suficiente para a maioria das sessões. Baterias avulsas custam 59 € cada.
O Neo 2 aguenta vento forte?
Aguenta vento até nível 5 (29-38 km/h) segundo a DJI. Na prática, começa a ter dificuldade de manter posição estável acima dos 30 km/h. Para condições ventosas regulares, considera um drone maior como o Mavic Pro 4.

Miguel Santos é um entusiasta e especialista em drones com mais de 15 anos de experiência no setor. Natural de Lisboa, Portugal, Miguel formou-se em Engenharia Eletrônica e rapidamente encontrou sua paixão na tecnologia de drones. Ele começou sua carreira desenvolvendo sistemas de navegação para drones comerciais, antes de se aventurar no mundo dos drones de filmagem e fotografia aérea. Em 2024, fundou o DroneFlyBlog.com para compartilhar suas vastas experiências e conhecimentos com uma comunidade global. Além de seu trabalho com o blog, Miguel é consultor de tecnologia para empresas que buscam implementar soluções com drones. Nas horas vagas, ele adora explorar novas paisagens com seu drone, capturando imagens deslumbrantes e inovadoras. Seu compromisso com a educação e inovação tem feito dele uma figura respeitada e influente no mundo dos drones.

